
Nas sombras da parede, estas mãos podem ser um pássaro a bater as asas, ou um coelho a mexer as orelhas, ou um cão a abrir e a fechar a boca, a ladrar em silêncio. Trazemos as mãos connosco em todos os momentos, não as distinguimos de nós próprios porque, na verdade, somos as nossas mãos, como somos o nosso nome, o nosso olhar, a nossa respiração, e não conseguimos ter consciência permanente de tudo o que somos. Através das mãos interagimos com o mundo, é impossível enumerar tudo o que fazemos com elas, todas as texturas, secas e húmidas, que tocamos com elas. Também por isso, é importante lavarmos as mãos com regularidade.
Em 1934, foi publicado pela primeira vez o texto Elogio da Mão, de Henri Focillon, tendo marcado a teoria da arte no século XX. Uma edição autónoma deste texto, abundantemente ilustrada, foi recentemente publicada em São Paulo pela Editora 34. Em Portugal, está disponível através das Edições 70, incluído no volume A Vida das Formas. Esta obra, mais longa, foi originalmente publicada no mesmo ano da década de trinta do século passado, afirma a arte como a construção de formas, e deu origem ao texto Elogio da Mão, que desenvolve algumas ideias que aí nasceram.

As mãos, esquerda e direita, são fundadoras da cultura material e, nos seus infinitos gestos criadores, moldam o mundo. Assim, a cultura não é apenas um património de ideias, mas é igualmente um acervo tangível, uma grandiosa acumulação de gestos. Existe pensamento nas mãos, os gestos que fazem, assim como todos os objetos que constroem, são materializações desse pensamento. Em última análise, segundo Focillon, as mãos são extensões da consciência.
Da mesma maneira, as mãos sabem falar, não apenas quando são usadas como signos da língua gestual, mas sempre, até as nossas mãos neste momento. As mãos são um espaço da memória, um imenso arquivo, herdamos conhecimento que passa de mão em mão. A evolução também acontece nos gestos. Por sua vez, a mão é inseparável do olhar. O toque complementa o conhecimento do que vemos.
As mãos são liberdade. São agentes da escolha, da construção de destino. Com as mãos, podemos transformar o mundo, dar novos lugares aos objetos, aproximar, afastar. As mãos dizem-nos que estamos aqui. Sinto as teclas que fixam cada uma destas letras. Sente as tuas mãos neste momento. O que vais fazer com elas a seguir?
José Luís Peixoto, escritor português com amplo reconhecimento dos leitores e da crítica, assina a rubrica Os Livros Pensam, quinzenalmente, no MOTIVO.

Nas sombras da parede, estas mãos podem ser um pássaro a bater as asas, ou um coelho a mexer as orelhas, ou um cão a abrir e a fechar a boca, a ladrar em silêncio. Trazemos as mãos connosco em todos os momentos, não as distinguimos de nós próprios porque, na verdade, somos as nossas mãos, como somos o nosso nome, o nosso olhar, a nossa respiração, e não conseguimos ter consciência permanente de tudo o que somos. Através das mãos interagimos com o mundo, é impossível enumerar tudo o que fazemos com elas, todas as texturas, secas e húmidas, que tocamos com elas. Também por isso, é importante lavarmos as mãos com regularidade.
Em 1934, foi publicado pela primeira vez o texto Elogio da Mão, de Henri Focillon, tendo marcado a teoria da arte no século XX. Uma edição autónoma deste texto, abundantemente ilustrada, foi recentemente publicada em São Paulo pela Editora 34. Em Portugal, está disponível através das Edições 70, incluído no volume A Vida das Formas. Esta obra, mais longa, foi originalmente publicada no mesmo ano da década de trinta do século passado, afirma a arte como a construção de formas, e deu origem ao texto Elogio da Mão, que desenvolve algumas ideias que aí nasceram.

As mãos, esquerda e direita, são fundadoras da cultura material e, nos seus infinitos gestos criadores, moldam o mundo. Assim, a cultura não é apenas um património de ideias, mas é igualmente um acervo tangível, uma grandiosa acumulação de gestos. Existe pensamento nas mãos, os gestos que fazem, assim como todos os objetos que constroem, são materializações desse pensamento. Em última análise, segundo Focillon, as mãos são extensões da consciência.
Da mesma maneira, as mãos sabem falar, não apenas quando são usadas como signos da língua gestual, mas sempre, até as nossas mãos neste momento. As mãos são um espaço da memória, um imenso arquivo, herdamos conhecimento que passa de mão em mão. A evolução também acontece nos gestos. Por sua vez, a mão é inseparável do olhar. O toque complementa o conhecimento do que vemos.
As mãos são liberdade. São agentes da escolha, da construção de destino. Com as mãos, podemos transformar o mundo, dar novos lugares aos objetos, aproximar, afastar. As mãos dizem-nos que estamos aqui. Sinto as teclas que fixam cada uma destas letras. Sente as tuas mãos neste momento. O que vais fazer com elas a seguir?
José Luís Peixoto, escritor português com amplo reconhecimento dos leitores e da crítica, assina a rubrica Os Livros Pensam, quinzenalmente, no MOTIVO.

Nas sombras da parede, estas mãos podem ser um pássaro a bater as asas, ou um coelho a mexer as orelhas, ou um cão a abrir e a fechar a boca, a ladrar em silêncio. Trazemos as mãos connosco em todos os momentos, não as distinguimos de nós próprios porque, na verdade, somos as nossas mãos, como somos o nosso nome, o nosso olhar, a nossa respiração, e não conseguimos ter consciência permanente de tudo o que somos. Através das mãos interagimos com o mundo, é impossível enumerar tudo o que fazemos com elas, todas as texturas, secas e húmidas, que tocamos com elas. Também por isso, é importante lavarmos as mãos com regularidade.
Em 1934, foi publicado pela primeira vez o texto Elogio da Mão, de Henri Focillon, tendo marcado a teoria da arte no século XX. Uma edição autónoma deste texto, abundantemente ilustrada, foi recentemente publicada em São Paulo pela Editora 34. Em Portugal, está disponível através das Edições 70, incluído no volume A Vida das Formas. Esta obra, mais longa, foi originalmente publicada no mesmo ano da década de trinta do século passado, afirma a arte como a construção de formas, e deu origem ao texto Elogio da Mão, que desenvolve algumas ideias que aí nasceram.

As mãos, esquerda e direita, são fundadoras da cultura material e, nos seus infinitos gestos criadores, moldam o mundo. Assim, a cultura não é apenas um património de ideias, mas é igualmente um acervo tangível, uma grandiosa acumulação de gestos. Existe pensamento nas mãos, os gestos que fazem, assim como todos os objetos que constroem, são materializações desse pensamento. Em última análise, segundo Focillon, as mãos são extensões da consciência.
Da mesma maneira, as mãos sabem falar, não apenas quando são usadas como signos da língua gestual, mas sempre, até as nossas mãos neste momento. As mãos são um espaço da memória, um imenso arquivo, herdamos conhecimento que passa de mão em mão. A evolução também acontece nos gestos. Por sua vez, a mão é inseparável do olhar. O toque complementa o conhecimento do que vemos.
As mãos são liberdade. São agentes da escolha, da construção de destino. Com as mãos, podemos transformar o mundo, dar novos lugares aos objetos, aproximar, afastar. As mãos dizem-nos que estamos aqui. Sinto as teclas que fixam cada uma destas letras. Sente as tuas mãos neste momento. O que vais fazer com elas a seguir?
José Luís Peixoto, escritor português com amplo reconhecimento dos leitores e da crítica, assina a rubrica Os Livros Pensam, quinzenalmente, no MOTIVO.

#Motivação
Nas sombras da parede, estas mãos podem ser um pássaro a bater as asas, ou um coelho a mexer as orelhas, ou um cão a abrir e a fechar a boca, a ladrar em silêncio. Trazemos as mãos connosco em todos os momentos, não as distinguimos de nós próprios porque, na verdade, somos as nossas mãos, como somos o nosso nome, o nosso olhar, a nossa respiração, e não conseguimos ter consciência permanente de tudo o que somos. Através das mãos interagimos com o mundo, é impossível enumerar tudo o que fazemos com elas, todas as texturas, secas e húmidas, que tocamos com elas. Também por isso, é importante lavarmos as mãos com regularidade.
Em 1934, foi publicado pela primeira vez o texto Elogio da Mão, de Henri Focillon, tendo marcado a teoria da arte no século XX. Uma edição autónoma deste texto, abundantemente ilustrada, foi recentemente publicada em São Paulo pela Editora 34. Em Portugal, está disponível através das Edições 70, incluído no volume A Vida das Formas. Esta obra, mais longa, foi originalmente publicada no mesmo ano da década de trinta do século passado, afirma a arte como a construção de formas, e deu origem ao texto Elogio da Mão, que desenvolve algumas ideias que aí nasceram.

As mãos, esquerda e direita, são fundadoras da cultura material e, nos seus infinitos gestos criadores, moldam o mundo. Assim, a cultura não é apenas um património de ideias, mas é igualmente um acervo tangível, uma grandiosa acumulação de gestos. Existe pensamento nas mãos, os gestos que fazem, assim como todos os objetos que constroem, são materializações desse pensamento. Em última análise, segundo Focillon, as mãos são extensões da consciência.
Da mesma maneira, as mãos sabem falar, não apenas quando são usadas como signos da língua gestual, mas sempre, até as nossas mãos neste momento. As mãos são um espaço da memória, um imenso arquivo, herdamos conhecimento que passa de mão em mão. A evolução também acontece nos gestos. Por sua vez, a mão é inseparável do olhar. O toque complementa o conhecimento do que vemos.
As mãos são liberdade. São agentes da escolha, da construção de destino. Com as mãos, podemos transformar o mundo, dar novos lugares aos objetos, aproximar, afastar. As mãos dizem-nos que estamos aqui. Sinto as teclas que fixam cada uma destas letras. Sente as tuas mãos neste momento. O que vais fazer com elas a seguir?
José Luís Peixoto, escritor português com amplo reconhecimento dos leitores e da crítica, assina a rubrica Os Livros Pensam, quinzenalmente, no MOTIVO.


