#Protagonistas

CRISTINA CABRAL RIBEIRO: “A IA permite retirar aos advogados a parte mais repetitiva e menos criativa do trabalho”

Fundou o escritório de advogados dentro da PwC, onde hoje lidera 60 pessoas. Da infância num meio rural ao reconhecimento no mundo corporativo, guarda os pais como referências maiores. Sabe quem é e não pede desculpa pelos lugares que ocupa. Num tempo de transformação acelerada, a sua liderança constrói-se na interseção entre estratégia, tecnologia e humanidade.

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29 de jan. de 2026, 13:00

Cristina Cabral Ribeiro nasceu em Lisboa, mas com poucos dias de vida foi morar para Mangualde, em 1978. Reconhece que a infância fora dos circuitos habituais de poder moldou a forma como, hoje, lê os negócios, as pessoas e as oportunidades. “A província deu-me uma perceção muito realista das relações e das mecânicas do mundo”, afirma.



O primeiro grande salto foi para Coimbra, onde estudou Direito

Não foi uma escolha óbvia nem confortável, queria sair de casa, ganhar autonomia e testar-se longe de qualquer rede de segurança. No dia de saída, o pai vaticinou que não voltaria a casa. E não voltou. Seguiu-se Lisboa, com uma passagem por Roma, em Erasmus, já com a ambição clara de construir um percurso próprio. “Sempre soube que queria ser notada pela competência, não pelo ruído”, diz, rejeitando a ideia de que visibilidade e mérito sejam o mesmo.

Depois de um percurso sólido em sociedades de advogados, passa mais de uma década na Garrigues, onde se afirma e cresce, sobretudo em Direito Empresarial, focada na compra e venda de empresas. Em 2017 aceita um desafio que viria a redefinir a sua carreira: integrar a PwC e criar, de raiz, um escritório de advogados dentro de uma consultora internacional. O convite trazia condições raras: investimento, clientes, autonomia, uma folha em branco para desenhar. E trazia também a pressão proporcional.

“Quando alguém te dá tudo o que é necessário, em teoria, para lançar um negócio, sabes que, se correr mal, a responsabilidade é tua”.

Hoje, lidera esse escritório de advogados da PwC, em Portugal, e coordena uma equipa de cerca de 60 pessoas. A sua liderança foge aos modelos mais ruidosos. Cristina Cabral Ribeiro faz cada vez menos comentários, observa muito e escolhe com cuidado quando intervir. Prefere elogiar a criticar, por uma questão de eficácia. “Percebi que uma palavra positiva, no momento certo, faz as pessoas evoluírem muito mais do que várias críticas”, explica. E acrescenta: “Um elogio meu pode mudar o dia e, às vezes, o percurso de alguém”. Por isso, pondera cada crítica em torno do visado. “É sobre mim, é sobre a pessoa, é útil?”, questiona. 



Cristina Cabral Ribeiro assume que tem uma estratégia clara para a sua vida e carreira. Planeia, define metas e revê decisões com regularidade, mas aceita que nenhum plano sobrevive intacto à realidade ou a si própria. “Mudar radicalmente de vontades faz parte do processo de crescimento”, afirma, segura. Cita duas máximas do mundo da política que orientam a sua forma de estar: “Quem falha a planear, falha em suceder” e, em sentido inverso: “O plano é a primeira coisa a cair numa guerra”. O dia-a-dia é a guerra de cada um. Planeia muito, mas ajusta constantemente. “O segredo da minha felicidade é esse: faço planos e não tenho medo de os desfazer e trabalho muito no desapego das minhas frustrações”.

O Direito e a IA

A inteligência artificial surge como uma extensão natural dessa forma de pensar. Cristina Cabral Ribeiro foi das primeiras no seu meio a abraçar a IA de forma estruturada, como ferramenta estratégica. “A inteligência artificial permite retirar aos advogados a parte mais repetitiva e menos criativa do trabalho”, afirma. Para si, isso não empobrece a profissão, liberta-a. Hoje, a IA já não é apenas um instrumento interno, tornou-se uma linha de negócio.

Cristina Cabral Ribeiro e a sua equipa formam outros advogados e organizações, ajudando-os a integrar a tecnologia em setores ainda resistentes à mudança. Esse movimento não é ingénuo. Reconhece os riscos e as dúvidas, sobretudo sobre como formar pensamento crítico numa geração que já não passa pelos “detalhes mais penosos” da profissão. Ainda assim, é clara: “A tecnologia também é uma forma de ganhar dinheiro e de criar valor para os clientes”. O seu papel, diz, é fazer a ponte entre quem desenvolve tecnologia e quem dela precisa, traduzindo linguagens que raramente se entendem.



O lado humano surge sem esforço

Num ambiente tradicionalmente conservador, Cristina Cabral Ribeiro nunca abdicou do seu estilo e promove sem reservas o conceito de marca pessoal. Não apenas como afirmação estética, mas como sinal de presença e respeito. “Representamos a casa onde estamos. Isso também passa pela forma como nos apresentamos”, defende. Hoje, conta com humor, a sua postura acabou por contagiar toda a organização.

A família ocupa um lugar central no seu discurso. Fala do pai e da mãe como referências fundadoras. Do pai herdou a coragem de falar e de não se esconder. “Ele dizia-me: vai tu à frente, fala tu, aprende a desenrascar-te”, recorda. “Um dia poderei não estar aqui”, e deixou, de facto, de estar muito cedo na vida de Cristina Cabral Ribeiro. Da mãe, uma mulher profissionalmente ativa e independente, recebeu o exemplo de que ambição e afeto não se anulam.

Cristina Cabral Ribeiro não pede desculpa pelo sucesso nem pela convicção com que ocupa espaço. Reconhece o próprio mérito e incentiva outras mulheres a fazerem o mesmo. Num meio ainda marcado por estruturas patriarcais, assume essa postura como parte da responsabilidade que tem enquanto líder.

#Protagonistas

CRISTINA CABRAL RIBEIRO: “A IA permite retirar aos advogados a parte mais repetitiva e menos criativa do trabalho”

Fundou o escritório de advogados dentro da PwC, onde hoje lidera 60 pessoas. Da infância num meio rural ao reconhecimento no mundo corporativo, guarda os pais como referências maiores. Sabe quem é e não pede desculpa pelos lugares que ocupa. Num tempo de transformação acelerada, a sua liderança constrói-se na interseção entre estratégia, tecnologia e humanidade.

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29 de jan. de 2026, 13:00

Cristina Cabral Ribeiro nasceu em Lisboa, mas com poucos dias de vida foi morar para Mangualde, em 1978. Reconhece que a infância fora dos circuitos habituais de poder moldou a forma como, hoje, lê os negócios, as pessoas e as oportunidades. “A província deu-me uma perceção muito realista das relações e das mecânicas do mundo”, afirma.



O primeiro grande salto foi para Coimbra, onde estudou Direito

Não foi uma escolha óbvia nem confortável, queria sair de casa, ganhar autonomia e testar-se longe de qualquer rede de segurança. No dia de saída, o pai vaticinou que não voltaria a casa. E não voltou. Seguiu-se Lisboa, com uma passagem por Roma, em Erasmus, já com a ambição clara de construir um percurso próprio. “Sempre soube que queria ser notada pela competência, não pelo ruído”, diz, rejeitando a ideia de que visibilidade e mérito sejam o mesmo.

Depois de um percurso sólido em sociedades de advogados, passa mais de uma década na Garrigues, onde se afirma e cresce, sobretudo em Direito Empresarial, focada na compra e venda de empresas. Em 2017 aceita um desafio que viria a redefinir a sua carreira: integrar a PwC e criar, de raiz, um escritório de advogados dentro de uma consultora internacional. O convite trazia condições raras: investimento, clientes, autonomia, uma folha em branco para desenhar. E trazia também a pressão proporcional.

“Quando alguém te dá tudo o que é necessário, em teoria, para lançar um negócio, sabes que, se correr mal, a responsabilidade é tua”.

Hoje, lidera esse escritório de advogados da PwC, em Portugal, e coordena uma equipa de cerca de 60 pessoas. A sua liderança foge aos modelos mais ruidosos. Cristina Cabral Ribeiro faz cada vez menos comentários, observa muito e escolhe com cuidado quando intervir. Prefere elogiar a criticar, por uma questão de eficácia. “Percebi que uma palavra positiva, no momento certo, faz as pessoas evoluírem muito mais do que várias críticas”, explica. E acrescenta: “Um elogio meu pode mudar o dia e, às vezes, o percurso de alguém”. Por isso, pondera cada crítica em torno do visado. “É sobre mim, é sobre a pessoa, é útil?”, questiona. 



Cristina Cabral Ribeiro assume que tem uma estratégia clara para a sua vida e carreira. Planeia, define metas e revê decisões com regularidade, mas aceita que nenhum plano sobrevive intacto à realidade ou a si própria. “Mudar radicalmente de vontades faz parte do processo de crescimento”, afirma, segura. Cita duas máximas do mundo da política que orientam a sua forma de estar: “Quem falha a planear, falha em suceder” e, em sentido inverso: “O plano é a primeira coisa a cair numa guerra”. O dia-a-dia é a guerra de cada um. Planeia muito, mas ajusta constantemente. “O segredo da minha felicidade é esse: faço planos e não tenho medo de os desfazer e trabalho muito no desapego das minhas frustrações”.

O Direito e a IA

A inteligência artificial surge como uma extensão natural dessa forma de pensar. Cristina Cabral Ribeiro foi das primeiras no seu meio a abraçar a IA de forma estruturada, como ferramenta estratégica. “A inteligência artificial permite retirar aos advogados a parte mais repetitiva e menos criativa do trabalho”, afirma. Para si, isso não empobrece a profissão, liberta-a. Hoje, a IA já não é apenas um instrumento interno, tornou-se uma linha de negócio.

Cristina Cabral Ribeiro e a sua equipa formam outros advogados e organizações, ajudando-os a integrar a tecnologia em setores ainda resistentes à mudança. Esse movimento não é ingénuo. Reconhece os riscos e as dúvidas, sobretudo sobre como formar pensamento crítico numa geração que já não passa pelos “detalhes mais penosos” da profissão. Ainda assim, é clara: “A tecnologia também é uma forma de ganhar dinheiro e de criar valor para os clientes”. O seu papel, diz, é fazer a ponte entre quem desenvolve tecnologia e quem dela precisa, traduzindo linguagens que raramente se entendem.



O lado humano surge sem esforço

Num ambiente tradicionalmente conservador, Cristina Cabral Ribeiro nunca abdicou do seu estilo e promove sem reservas o conceito de marca pessoal. Não apenas como afirmação estética, mas como sinal de presença e respeito. “Representamos a casa onde estamos. Isso também passa pela forma como nos apresentamos”, defende. Hoje, conta com humor, a sua postura acabou por contagiar toda a organização.

A família ocupa um lugar central no seu discurso. Fala do pai e da mãe como referências fundadoras. Do pai herdou a coragem de falar e de não se esconder. “Ele dizia-me: vai tu à frente, fala tu, aprende a desenrascar-te”, recorda. “Um dia poderei não estar aqui”, e deixou, de facto, de estar muito cedo na vida de Cristina Cabral Ribeiro. Da mãe, uma mulher profissionalmente ativa e independente, recebeu o exemplo de que ambição e afeto não se anulam.

Cristina Cabral Ribeiro não pede desculpa pelo sucesso nem pela convicção com que ocupa espaço. Reconhece o próprio mérito e incentiva outras mulheres a fazerem o mesmo. Num meio ainda marcado por estruturas patriarcais, assume essa postura como parte da responsabilidade que tem enquanto líder.

#Protagonistas

CRISTINA CABRAL RIBEIRO: “A IA permite retirar aos advogados a parte mais repetitiva e menos criativa do trabalho”

Fundou o escritório de advogados dentro da PwC, onde hoje lidera 60 pessoas. Da infância num meio rural ao reconhecimento no mundo corporativo, guarda os pais como referências maiores. Sabe quem é e não pede desculpa pelos lugares que ocupa. Num tempo de transformação acelerada, a sua liderança constrói-se na interseção entre estratégia, tecnologia e humanidade.

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29 de jan. de 2026, 13:00

Cristina Cabral Ribeiro nasceu em Lisboa, mas com poucos dias de vida foi morar para Mangualde, em 1978. Reconhece que a infância fora dos circuitos habituais de poder moldou a forma como, hoje, lê os negócios, as pessoas e as oportunidades. “A província deu-me uma perceção muito realista das relações e das mecânicas do mundo”, afirma.



O primeiro grande salto foi para Coimbra, onde estudou Direito

Não foi uma escolha óbvia nem confortável, queria sair de casa, ganhar autonomia e testar-se longe de qualquer rede de segurança. No dia de saída, o pai vaticinou que não voltaria a casa. E não voltou. Seguiu-se Lisboa, com uma passagem por Roma, em Erasmus, já com a ambição clara de construir um percurso próprio. “Sempre soube que queria ser notada pela competência, não pelo ruído”, diz, rejeitando a ideia de que visibilidade e mérito sejam o mesmo.

Depois de um percurso sólido em sociedades de advogados, passa mais de uma década na Garrigues, onde se afirma e cresce, sobretudo em Direito Empresarial, focada na compra e venda de empresas. Em 2017 aceita um desafio que viria a redefinir a sua carreira: integrar a PwC e criar, de raiz, um escritório de advogados dentro de uma consultora internacional. O convite trazia condições raras: investimento, clientes, autonomia, uma folha em branco para desenhar. E trazia também a pressão proporcional.

“Quando alguém te dá tudo o que é necessário, em teoria, para lançar um negócio, sabes que, se correr mal, a responsabilidade é tua”.

Hoje, lidera esse escritório de advogados da PwC, em Portugal, e coordena uma equipa de cerca de 60 pessoas. A sua liderança foge aos modelos mais ruidosos. Cristina Cabral Ribeiro faz cada vez menos comentários, observa muito e escolhe com cuidado quando intervir. Prefere elogiar a criticar, por uma questão de eficácia. “Percebi que uma palavra positiva, no momento certo, faz as pessoas evoluírem muito mais do que várias críticas”, explica. E acrescenta: “Um elogio meu pode mudar o dia e, às vezes, o percurso de alguém”. Por isso, pondera cada crítica em torno do visado. “É sobre mim, é sobre a pessoa, é útil?”, questiona. 



Cristina Cabral Ribeiro assume que tem uma estratégia clara para a sua vida e carreira. Planeia, define metas e revê decisões com regularidade, mas aceita que nenhum plano sobrevive intacto à realidade ou a si própria. “Mudar radicalmente de vontades faz parte do processo de crescimento”, afirma, segura. Cita duas máximas do mundo da política que orientam a sua forma de estar: “Quem falha a planear, falha em suceder” e, em sentido inverso: “O plano é a primeira coisa a cair numa guerra”. O dia-a-dia é a guerra de cada um. Planeia muito, mas ajusta constantemente. “O segredo da minha felicidade é esse: faço planos e não tenho medo de os desfazer e trabalho muito no desapego das minhas frustrações”.

O Direito e a IA

A inteligência artificial surge como uma extensão natural dessa forma de pensar. Cristina Cabral Ribeiro foi das primeiras no seu meio a abraçar a IA de forma estruturada, como ferramenta estratégica. “A inteligência artificial permite retirar aos advogados a parte mais repetitiva e menos criativa do trabalho”, afirma. Para si, isso não empobrece a profissão, liberta-a. Hoje, a IA já não é apenas um instrumento interno, tornou-se uma linha de negócio.

Cristina Cabral Ribeiro e a sua equipa formam outros advogados e organizações, ajudando-os a integrar a tecnologia em setores ainda resistentes à mudança. Esse movimento não é ingénuo. Reconhece os riscos e as dúvidas, sobretudo sobre como formar pensamento crítico numa geração que já não passa pelos “detalhes mais penosos” da profissão. Ainda assim, é clara: “A tecnologia também é uma forma de ganhar dinheiro e de criar valor para os clientes”. O seu papel, diz, é fazer a ponte entre quem desenvolve tecnologia e quem dela precisa, traduzindo linguagens que raramente se entendem.



O lado humano surge sem esforço

Num ambiente tradicionalmente conservador, Cristina Cabral Ribeiro nunca abdicou do seu estilo e promove sem reservas o conceito de marca pessoal. Não apenas como afirmação estética, mas como sinal de presença e respeito. “Representamos a casa onde estamos. Isso também passa pela forma como nos apresentamos”, defende. Hoje, conta com humor, a sua postura acabou por contagiar toda a organização.

A família ocupa um lugar central no seu discurso. Fala do pai e da mãe como referências fundadoras. Do pai herdou a coragem de falar e de não se esconder. “Ele dizia-me: vai tu à frente, fala tu, aprende a desenrascar-te”, recorda. “Um dia poderei não estar aqui”, e deixou, de facto, de estar muito cedo na vida de Cristina Cabral Ribeiro. Da mãe, uma mulher profissionalmente ativa e independente, recebeu o exemplo de que ambição e afeto não se anulam.

Cristina Cabral Ribeiro não pede desculpa pelo sucesso nem pela convicção com que ocupa espaço. Reconhece o próprio mérito e incentiva outras mulheres a fazerem o mesmo. Num meio ainda marcado por estruturas patriarcais, assume essa postura como parte da responsabilidade que tem enquanto líder.

#Protagonistas

CRISTINA CABRAL RIBEIRO: “A IA permite retirar aos advogados a parte mais repetitiva e menos criativa do trabalho”

Fundou o escritório de advogados dentro da PwC, onde hoje lidera 60 pessoas. Da infância num meio rural ao reconhecimento no mundo corporativo, guarda os pais como referências maiores. Sabe quem é e não pede desculpa pelos lugares que ocupa. Num tempo de transformação acelerada, a sua liderança constrói-se na interseção entre estratégia, tecnologia e humanidade.

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29 de jan. de 2026, 13:00

Cristina Cabral Ribeiro nasceu em Lisboa, mas com poucos dias de vida foi morar para Mangualde, em 1978. Reconhece que a infância fora dos circuitos habituais de poder moldou a forma como, hoje, lê os negócios, as pessoas e as oportunidades. “A província deu-me uma perceção muito realista das relações e das mecânicas do mundo”, afirma.



O primeiro grande salto foi para Coimbra, onde estudou Direito

Não foi uma escolha óbvia nem confortável, queria sair de casa, ganhar autonomia e testar-se longe de qualquer rede de segurança. No dia de saída, o pai vaticinou que não voltaria a casa. E não voltou. Seguiu-se Lisboa, com uma passagem por Roma, em Erasmus, já com a ambição clara de construir um percurso próprio. “Sempre soube que queria ser notada pela competência, não pelo ruído”, diz, rejeitando a ideia de que visibilidade e mérito sejam o mesmo.

Depois de um percurso sólido em sociedades de advogados, passa mais de uma década na Garrigues, onde se afirma e cresce, sobretudo em Direito Empresarial, focada na compra e venda de empresas. Em 2017 aceita um desafio que viria a redefinir a sua carreira: integrar a PwC e criar, de raiz, um escritório de advogados dentro de uma consultora internacional. O convite trazia condições raras: investimento, clientes, autonomia, uma folha em branco para desenhar. E trazia também a pressão proporcional.

“Quando alguém te dá tudo o que é necessário, em teoria, para lançar um negócio, sabes que, se correr mal, a responsabilidade é tua”.

Hoje, lidera esse escritório de advogados da PwC, em Portugal, e coordena uma equipa de cerca de 60 pessoas. A sua liderança foge aos modelos mais ruidosos. Cristina Cabral Ribeiro faz cada vez menos comentários, observa muito e escolhe com cuidado quando intervir. Prefere elogiar a criticar, por uma questão de eficácia. “Percebi que uma palavra positiva, no momento certo, faz as pessoas evoluírem muito mais do que várias críticas”, explica. E acrescenta: “Um elogio meu pode mudar o dia e, às vezes, o percurso de alguém”. Por isso, pondera cada crítica em torno do visado. “É sobre mim, é sobre a pessoa, é útil?”, questiona. 



Cristina Cabral Ribeiro assume que tem uma estratégia clara para a sua vida e carreira. Planeia, define metas e revê decisões com regularidade, mas aceita que nenhum plano sobrevive intacto à realidade ou a si própria. “Mudar radicalmente de vontades faz parte do processo de crescimento”, afirma, segura. Cita duas máximas do mundo da política que orientam a sua forma de estar: “Quem falha a planear, falha em suceder” e, em sentido inverso: “O plano é a primeira coisa a cair numa guerra”. O dia-a-dia é a guerra de cada um. Planeia muito, mas ajusta constantemente. “O segredo da minha felicidade é esse: faço planos e não tenho medo de os desfazer e trabalho muito no desapego das minhas frustrações”.

O Direito e a IA

A inteligência artificial surge como uma extensão natural dessa forma de pensar. Cristina Cabral Ribeiro foi das primeiras no seu meio a abraçar a IA de forma estruturada, como ferramenta estratégica. “A inteligência artificial permite retirar aos advogados a parte mais repetitiva e menos criativa do trabalho”, afirma. Para si, isso não empobrece a profissão, liberta-a. Hoje, a IA já não é apenas um instrumento interno, tornou-se uma linha de negócio.

Cristina Cabral Ribeiro e a sua equipa formam outros advogados e organizações, ajudando-os a integrar a tecnologia em setores ainda resistentes à mudança. Esse movimento não é ingénuo. Reconhece os riscos e as dúvidas, sobretudo sobre como formar pensamento crítico numa geração que já não passa pelos “detalhes mais penosos” da profissão. Ainda assim, é clara: “A tecnologia também é uma forma de ganhar dinheiro e de criar valor para os clientes”. O seu papel, diz, é fazer a ponte entre quem desenvolve tecnologia e quem dela precisa, traduzindo linguagens que raramente se entendem.



O lado humano surge sem esforço

Num ambiente tradicionalmente conservador, Cristina Cabral Ribeiro nunca abdicou do seu estilo e promove sem reservas o conceito de marca pessoal. Não apenas como afirmação estética, mas como sinal de presença e respeito. “Representamos a casa onde estamos. Isso também passa pela forma como nos apresentamos”, defende. Hoje, conta com humor, a sua postura acabou por contagiar toda a organização.

A família ocupa um lugar central no seu discurso. Fala do pai e da mãe como referências fundadoras. Do pai herdou a coragem de falar e de não se esconder. “Ele dizia-me: vai tu à frente, fala tu, aprende a desenrascar-te”, recorda. “Um dia poderei não estar aqui”, e deixou, de facto, de estar muito cedo na vida de Cristina Cabral Ribeiro. Da mãe, uma mulher profissionalmente ativa e independente, recebeu o exemplo de que ambição e afeto não se anulam.

Cristina Cabral Ribeiro não pede desculpa pelo sucesso nem pela convicção com que ocupa espaço. Reconhece o próprio mérito e incentiva outras mulheres a fazerem o mesmo. Num meio ainda marcado por estruturas patriarcais, assume essa postura como parte da responsabilidade que tem enquanto líder.

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