#Protagonistas

Seis perguntas a Afonso Dubraz

Trocou a advocacia pela música, embora admita que as duas profissões continuam mais próximas do que parece. Esta semana lançou o tema Café, um dueto com a brasileira Mar.iana, gravado no Rio de Janeiro e lançado a 1 de outubro, data que cruza o Dia Mundial da Música com o Dia Internacional do Café. Foi esse o mote para as seis perguntas do MOTIVO. Eis as suas seis respostas.

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3 de out. de 2026, 09:09

A música Café chegou na efeméride do Café e da Música. O que veio primeiro: a vontade de assinalar a data ou a canção?

AFONSO DUBRAZ — A canção vem sempre primeiro. Todas as histórias que canto nascem de uma vontade muito forte de passar para o papel uma ideia ou um sentimento que quero partilhar com as pessoas. Com o tempo, tenho vindo a perceber a importância de associar o lançamento de uma música a um bom plano de marketing e promoção, porém, tento sempre que seja a canção a limitar a estratégia de comunicação e nunca o contrário. Se foi coincidência lançar uma música chamada Café no Dia Mundial da Música e no Dia Internacional do Café? Admito que não! Foi a oportunidade ideal para casar estes dois mundos e dar o melhor lançamento possível a este novo single.



Gravaste o videoclipe no Rio de Janeiro e dividiste o tema com a brasileira Mar.iana. O que é que o Brasil trouxe a esta canção?

A.D. — O Brasil trouxe a musicalidade inigualável da bossa nova, a identidade dos seus músicos e instrumentos e, claro, a energia solar que só o Rio de Janeiro consegue ter. Quando escrevi e compus a canção, sabia que teria de ser um dueto com uma artista brasileira, pois só assim conseguiria dar ao tema a natureza carioca que ele merece e que eu, deste lado do Atlântico, nunca conseguiria replicar. Para mim, é muito importante que as minhas canções sejam produzidas de uma forma orgânica e verdadeira, articulando vários estilos e realidades musicais sempre numa ótica de partilha, onde cada pessoa que participa faz parte do processo e o enriquece à sua maneira. Isto sim, para mim, é música.

Já escreveste Marido e Mulher num autocarro entre Linda-a-Velha e o Marquês de Pombal. Continuas a encontrar canções em situações tão banais como uma viagem de autocarro?

A.D. — Costumo dizer que, para escrever canções, é preciso viver e, quando digo isto, não me refiro apenas às experiências mais apaixonantes e marcantes da vida, mas também à rotina dos dias banais. A inspiração vem de todo o lado e é muito importante que assim seja. Continuo, e continuarei sempre, a encontrar histórias para contar, seja em autocarros, elevadores, escritórios ou filas de balcões das Finanças. A música e a composição têm uma origem muito livre e inocente, e é exatamente isso que me apaixona nesta profissão.


O vídeo da música Café foi gravado no Rio de Janeiro


Trocaste a advocacia pela música. O que existe do advogado Afonso na forma como o músico toma decisões?

A.D. — O meu manager diz-me várias vezes para “desligar o advogado e ligar o artista”, o que, de certa forma, responde muito bem a esta pergunta. O advogado e o músico que há em mim continuam muito conectados na forma de pensar e agir, e penso que dificilmente se irão separar alguma vez. Enquanto o artista idealiza e compõe uma canção, o advogado estrutura e enriquece a letra, com uma perspetiva que considero muito benéfica para o meu projeto, e que não existiria se não fossem os vários anos de advocacia a treinar a escrita e a argumentação. Este casamento entre profissões é algo que quero manter, pois sinto que me torna mais completo enquanto compositor e artista de palco, onde a capacidade de comunicação e organização de ideias é um ingrediente-chave. Para não falar do facto de, no mundo da música, haver muitos contratos para assinar. Aí, o advogado toma sempre o controlo da situação. (Risos)

Disseste que, ainda hoje, não sabes porque começaste a cantar. Já sabes, pelo menos, porque continuas?

A.D. — Gosto sempre de responder a esta questão, pois o meu início como cantor foi tudo menos planeado ou vocacionado. Aos 15 anos, apaixonei-me por uma rapariga durante as férias de verão no Algarve e ela nunca me ligou nenhuma, porque só tinha olhos para o rapaz da guitarra. Quando voltei para Lisboa, decidi que iria aprender a tocar o instrumento e voltaria ao sul do país no ano seguinte para a conquistar. A verdade é que nunca mais a voltei a ver, mas o gosto pela guitarra ficou e, aos poucos, fui começando a murmurar melodias e palavras soltas só para tornar os ensaios menos monótonos. Comecei a cantar e nunca mais parei. Hoje, não tenho dúvidas sobre porque canto e sei que o continuarei a fazer para sempre. Cantar sobre a vida é a forma que arranjei para a viver vezes sem conta, e é talvez a principal razão pela qual continuo diariamente a procurar experienciar coisas novas. Cantar tornou-se profissão, mas também um espaço seguro e terapêutico que me mantém com uma vontade enorme pelo dia de amanhã e por tudo o que está por vir. Mais música e cantorias a caminho.



Em que fase está o plano de chegares à MEO Arena, num concerto em nome próprio?

A.D. — Atuar na MEO Arena com um concerto em nome próprio é o maior sonho da minha carreira e nada me deixa mais feliz do que saber que, ano após ano, estou a fazer uma caminhada ascendente e que, aos poucos, me vou aproximando desse objetivo. Não vejo esse plano como uma fonte de pressão. Vejo-o como a montanha que está por escalar, o destino que me dá vontade de continuar diariamente a fazer mais e melhor. Não o quero fazer amanhã ou no próximo ano, porque há tempo para tudo. Sou um adepto convicto do velho lema “o que importa não é o destino, mas a viagem”. Com o propósito de lá chegar um dia, eu e a minha equipa temos vindo a delinear o projeto com base em etapas credíveis e seguras. O primeiro fruto desse plano foi a atuação no Capitólio. Agora seguem-se Tivoli, Coliseu e Campo Pequeno. O céu é o limite e não há pressa alguma para lá chegar.

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Seis perguntas a Afonso Dubraz

Trocou a advocacia pela música, embora admita que as duas profissões continuam mais próximas do que parece. Esta semana lançou o tema Café, um dueto com a brasileira Mar.iana, gravado no Rio de Janeiro e lançado a 1 de outubro, data que cruza o Dia Mundial da Música com o Dia Internacional do Café. Foi esse o mote para as seis perguntas do MOTIVO. Eis as suas seis respostas.

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3 de out. de 2026, 09:09

A música Café chegou na efeméride do Café e da Música. O que veio primeiro: a vontade de assinalar a data ou a canção?

AFONSO DUBRAZ — A canção vem sempre primeiro. Todas as histórias que canto nascem de uma vontade muito forte de passar para o papel uma ideia ou um sentimento que quero partilhar com as pessoas. Com o tempo, tenho vindo a perceber a importância de associar o lançamento de uma música a um bom plano de marketing e promoção, porém, tento sempre que seja a canção a limitar a estratégia de comunicação e nunca o contrário. Se foi coincidência lançar uma música chamada Café no Dia Mundial da Música e no Dia Internacional do Café? Admito que não! Foi a oportunidade ideal para casar estes dois mundos e dar o melhor lançamento possível a este novo single.



Gravaste o videoclipe no Rio de Janeiro e dividiste o tema com a brasileira Mar.iana. O que é que o Brasil trouxe a esta canção?

A.D. — O Brasil trouxe a musicalidade inigualável da bossa nova, a identidade dos seus músicos e instrumentos e, claro, a energia solar que só o Rio de Janeiro consegue ter. Quando escrevi e compus a canção, sabia que teria de ser um dueto com uma artista brasileira, pois só assim conseguiria dar ao tema a natureza carioca que ele merece e que eu, deste lado do Atlântico, nunca conseguiria replicar. Para mim, é muito importante que as minhas canções sejam produzidas de uma forma orgânica e verdadeira, articulando vários estilos e realidades musicais sempre numa ótica de partilha, onde cada pessoa que participa faz parte do processo e o enriquece à sua maneira. Isto sim, para mim, é música.

Já escreveste Marido e Mulher num autocarro entre Linda-a-Velha e o Marquês de Pombal. Continuas a encontrar canções em situações tão banais como uma viagem de autocarro?

A.D. — Costumo dizer que, para escrever canções, é preciso viver e, quando digo isto, não me refiro apenas às experiências mais apaixonantes e marcantes da vida, mas também à rotina dos dias banais. A inspiração vem de todo o lado e é muito importante que assim seja. Continuo, e continuarei sempre, a encontrar histórias para contar, seja em autocarros, elevadores, escritórios ou filas de balcões das Finanças. A música e a composição têm uma origem muito livre e inocente, e é exatamente isso que me apaixona nesta profissão.


O vídeo da música Café foi gravado no Rio de Janeiro


Trocaste a advocacia pela música. O que existe do advogado Afonso na forma como o músico toma decisões?

A.D. — O meu manager diz-me várias vezes para “desligar o advogado e ligar o artista”, o que, de certa forma, responde muito bem a esta pergunta. O advogado e o músico que há em mim continuam muito conectados na forma de pensar e agir, e penso que dificilmente se irão separar alguma vez. Enquanto o artista idealiza e compõe uma canção, o advogado estrutura e enriquece a letra, com uma perspetiva que considero muito benéfica para o meu projeto, e que não existiria se não fossem os vários anos de advocacia a treinar a escrita e a argumentação. Este casamento entre profissões é algo que quero manter, pois sinto que me torna mais completo enquanto compositor e artista de palco, onde a capacidade de comunicação e organização de ideias é um ingrediente-chave. Para não falar do facto de, no mundo da música, haver muitos contratos para assinar. Aí, o advogado toma sempre o controlo da situação. (Risos)

Disseste que, ainda hoje, não sabes porque começaste a cantar. Já sabes, pelo menos, porque continuas?

A.D. — Gosto sempre de responder a esta questão, pois o meu início como cantor foi tudo menos planeado ou vocacionado. Aos 15 anos, apaixonei-me por uma rapariga durante as férias de verão no Algarve e ela nunca me ligou nenhuma, porque só tinha olhos para o rapaz da guitarra. Quando voltei para Lisboa, decidi que iria aprender a tocar o instrumento e voltaria ao sul do país no ano seguinte para a conquistar. A verdade é que nunca mais a voltei a ver, mas o gosto pela guitarra ficou e, aos poucos, fui começando a murmurar melodias e palavras soltas só para tornar os ensaios menos monótonos. Comecei a cantar e nunca mais parei. Hoje, não tenho dúvidas sobre porque canto e sei que o continuarei a fazer para sempre. Cantar sobre a vida é a forma que arranjei para a viver vezes sem conta, e é talvez a principal razão pela qual continuo diariamente a procurar experienciar coisas novas. Cantar tornou-se profissão, mas também um espaço seguro e terapêutico que me mantém com uma vontade enorme pelo dia de amanhã e por tudo o que está por vir. Mais música e cantorias a caminho.



Em que fase está o plano de chegares à MEO Arena, num concerto em nome próprio?

A.D. — Atuar na MEO Arena com um concerto em nome próprio é o maior sonho da minha carreira e nada me deixa mais feliz do que saber que, ano após ano, estou a fazer uma caminhada ascendente e que, aos poucos, me vou aproximando desse objetivo. Não vejo esse plano como uma fonte de pressão. Vejo-o como a montanha que está por escalar, o destino que me dá vontade de continuar diariamente a fazer mais e melhor. Não o quero fazer amanhã ou no próximo ano, porque há tempo para tudo. Sou um adepto convicto do velho lema “o que importa não é o destino, mas a viagem”. Com o propósito de lá chegar um dia, eu e a minha equipa temos vindo a delinear o projeto com base em etapas credíveis e seguras. O primeiro fruto desse plano foi a atuação no Capitólio. Agora seguem-se Tivoli, Coliseu e Campo Pequeno. O céu é o limite e não há pressa alguma para lá chegar.

#Protagonistas

Seis perguntas a Afonso Dubraz

Trocou a advocacia pela música, embora admita que as duas profissões continuam mais próximas do que parece. Esta semana lançou o tema Café, um dueto com a brasileira Mar.iana, gravado no Rio de Janeiro e lançado a 1 de outubro, data que cruza o Dia Mundial da Música com o Dia Internacional do Café. Foi esse o mote para as seis perguntas do MOTIVO. Eis as suas seis respostas.

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3 de out. de 2026, 09:09

A música Café chegou na efeméride do Café e da Música. O que veio primeiro: a vontade de assinalar a data ou a canção?

AFONSO DUBRAZ — A canção vem sempre primeiro. Todas as histórias que canto nascem de uma vontade muito forte de passar para o papel uma ideia ou um sentimento que quero partilhar com as pessoas. Com o tempo, tenho vindo a perceber a importância de associar o lançamento de uma música a um bom plano de marketing e promoção, porém, tento sempre que seja a canção a limitar a estratégia de comunicação e nunca o contrário. Se foi coincidência lançar uma música chamada Café no Dia Mundial da Música e no Dia Internacional do Café? Admito que não! Foi a oportunidade ideal para casar estes dois mundos e dar o melhor lançamento possível a este novo single.



Gravaste o videoclipe no Rio de Janeiro e dividiste o tema com a brasileira Mar.iana. O que é que o Brasil trouxe a esta canção?

A.D. — O Brasil trouxe a musicalidade inigualável da bossa nova, a identidade dos seus músicos e instrumentos e, claro, a energia solar que só o Rio de Janeiro consegue ter. Quando escrevi e compus a canção, sabia que teria de ser um dueto com uma artista brasileira, pois só assim conseguiria dar ao tema a natureza carioca que ele merece e que eu, deste lado do Atlântico, nunca conseguiria replicar. Para mim, é muito importante que as minhas canções sejam produzidas de uma forma orgânica e verdadeira, articulando vários estilos e realidades musicais sempre numa ótica de partilha, onde cada pessoa que participa faz parte do processo e o enriquece à sua maneira. Isto sim, para mim, é música.

Já escreveste Marido e Mulher num autocarro entre Linda-a-Velha e o Marquês de Pombal. Continuas a encontrar canções em situações tão banais como uma viagem de autocarro?

A.D. — Costumo dizer que, para escrever canções, é preciso viver e, quando digo isto, não me refiro apenas às experiências mais apaixonantes e marcantes da vida, mas também à rotina dos dias banais. A inspiração vem de todo o lado e é muito importante que assim seja. Continuo, e continuarei sempre, a encontrar histórias para contar, seja em autocarros, elevadores, escritórios ou filas de balcões das Finanças. A música e a composição têm uma origem muito livre e inocente, e é exatamente isso que me apaixona nesta profissão.


O vídeo da música Café foi gravado no Rio de Janeiro


Trocaste a advocacia pela música. O que existe do advogado Afonso na forma como o músico toma decisões?

A.D. — O meu manager diz-me várias vezes para “desligar o advogado e ligar o artista”, o que, de certa forma, responde muito bem a esta pergunta. O advogado e o músico que há em mim continuam muito conectados na forma de pensar e agir, e penso que dificilmente se irão separar alguma vez. Enquanto o artista idealiza e compõe uma canção, o advogado estrutura e enriquece a letra, com uma perspetiva que considero muito benéfica para o meu projeto, e que não existiria se não fossem os vários anos de advocacia a treinar a escrita e a argumentação. Este casamento entre profissões é algo que quero manter, pois sinto que me torna mais completo enquanto compositor e artista de palco, onde a capacidade de comunicação e organização de ideias é um ingrediente-chave. Para não falar do facto de, no mundo da música, haver muitos contratos para assinar. Aí, o advogado toma sempre o controlo da situação. (Risos)

Disseste que, ainda hoje, não sabes porque começaste a cantar. Já sabes, pelo menos, porque continuas?

A.D. — Gosto sempre de responder a esta questão, pois o meu início como cantor foi tudo menos planeado ou vocacionado. Aos 15 anos, apaixonei-me por uma rapariga durante as férias de verão no Algarve e ela nunca me ligou nenhuma, porque só tinha olhos para o rapaz da guitarra. Quando voltei para Lisboa, decidi que iria aprender a tocar o instrumento e voltaria ao sul do país no ano seguinte para a conquistar. A verdade é que nunca mais a voltei a ver, mas o gosto pela guitarra ficou e, aos poucos, fui começando a murmurar melodias e palavras soltas só para tornar os ensaios menos monótonos. Comecei a cantar e nunca mais parei. Hoje, não tenho dúvidas sobre porque canto e sei que o continuarei a fazer para sempre. Cantar sobre a vida é a forma que arranjei para a viver vezes sem conta, e é talvez a principal razão pela qual continuo diariamente a procurar experienciar coisas novas. Cantar tornou-se profissão, mas também um espaço seguro e terapêutico que me mantém com uma vontade enorme pelo dia de amanhã e por tudo o que está por vir. Mais música e cantorias a caminho.



Em que fase está o plano de chegares à MEO Arena, num concerto em nome próprio?

A.D. — Atuar na MEO Arena com um concerto em nome próprio é o maior sonho da minha carreira e nada me deixa mais feliz do que saber que, ano após ano, estou a fazer uma caminhada ascendente e que, aos poucos, me vou aproximando desse objetivo. Não vejo esse plano como uma fonte de pressão. Vejo-o como a montanha que está por escalar, o destino que me dá vontade de continuar diariamente a fazer mais e melhor. Não o quero fazer amanhã ou no próximo ano, porque há tempo para tudo. Sou um adepto convicto do velho lema “o que importa não é o destino, mas a viagem”. Com o propósito de lá chegar um dia, eu e a minha equipa temos vindo a delinear o projeto com base em etapas credíveis e seguras. O primeiro fruto desse plano foi a atuação no Capitólio. Agora seguem-se Tivoli, Coliseu e Campo Pequeno. O céu é o limite e não há pressa alguma para lá chegar.

#Protagonistas

Seis perguntas a Afonso Dubraz

Trocou a advocacia pela música, embora admita que as duas profissões continuam mais próximas do que parece. Esta semana lançou o tema Café, um dueto com a brasileira Mar.iana, gravado no Rio de Janeiro e lançado a 1 de outubro, data que cruza o Dia Mundial da Música com o Dia Internacional do Café. Foi esse o mote para as seis perguntas do MOTIVO. Eis as suas seis respostas.

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3 de out. de 2026, 09:09

A música Café chegou na efeméride do Café e da Música. O que veio primeiro: a vontade de assinalar a data ou a canção?

AFONSO DUBRAZ — A canção vem sempre primeiro. Todas as histórias que canto nascem de uma vontade muito forte de passar para o papel uma ideia ou um sentimento que quero partilhar com as pessoas. Com o tempo, tenho vindo a perceber a importância de associar o lançamento de uma música a um bom plano de marketing e promoção, porém, tento sempre que seja a canção a limitar a estratégia de comunicação e nunca o contrário. Se foi coincidência lançar uma música chamada Café no Dia Mundial da Música e no Dia Internacional do Café? Admito que não! Foi a oportunidade ideal para casar estes dois mundos e dar o melhor lançamento possível a este novo single.



Gravaste o videoclipe no Rio de Janeiro e dividiste o tema com a brasileira Mar.iana. O que é que o Brasil trouxe a esta canção?

A.D. — O Brasil trouxe a musicalidade inigualável da bossa nova, a identidade dos seus músicos e instrumentos e, claro, a energia solar que só o Rio de Janeiro consegue ter. Quando escrevi e compus a canção, sabia que teria de ser um dueto com uma artista brasileira, pois só assim conseguiria dar ao tema a natureza carioca que ele merece e que eu, deste lado do Atlântico, nunca conseguiria replicar. Para mim, é muito importante que as minhas canções sejam produzidas de uma forma orgânica e verdadeira, articulando vários estilos e realidades musicais sempre numa ótica de partilha, onde cada pessoa que participa faz parte do processo e o enriquece à sua maneira. Isto sim, para mim, é música.

Já escreveste Marido e Mulher num autocarro entre Linda-a-Velha e o Marquês de Pombal. Continuas a encontrar canções em situações tão banais como uma viagem de autocarro?

A.D. — Costumo dizer que, para escrever canções, é preciso viver e, quando digo isto, não me refiro apenas às experiências mais apaixonantes e marcantes da vida, mas também à rotina dos dias banais. A inspiração vem de todo o lado e é muito importante que assim seja. Continuo, e continuarei sempre, a encontrar histórias para contar, seja em autocarros, elevadores, escritórios ou filas de balcões das Finanças. A música e a composição têm uma origem muito livre e inocente, e é exatamente isso que me apaixona nesta profissão.


O vídeo da música Café foi gravado no Rio de Janeiro


Trocaste a advocacia pela música. O que existe do advogado Afonso na forma como o músico toma decisões?

A.D. — O meu manager diz-me várias vezes para “desligar o advogado e ligar o artista”, o que, de certa forma, responde muito bem a esta pergunta. O advogado e o músico que há em mim continuam muito conectados na forma de pensar e agir, e penso que dificilmente se irão separar alguma vez. Enquanto o artista idealiza e compõe uma canção, o advogado estrutura e enriquece a letra, com uma perspetiva que considero muito benéfica para o meu projeto, e que não existiria se não fossem os vários anos de advocacia a treinar a escrita e a argumentação. Este casamento entre profissões é algo que quero manter, pois sinto que me torna mais completo enquanto compositor e artista de palco, onde a capacidade de comunicação e organização de ideias é um ingrediente-chave. Para não falar do facto de, no mundo da música, haver muitos contratos para assinar. Aí, o advogado toma sempre o controlo da situação. (Risos)

Disseste que, ainda hoje, não sabes porque começaste a cantar. Já sabes, pelo menos, porque continuas?

A.D. — Gosto sempre de responder a esta questão, pois o meu início como cantor foi tudo menos planeado ou vocacionado. Aos 15 anos, apaixonei-me por uma rapariga durante as férias de verão no Algarve e ela nunca me ligou nenhuma, porque só tinha olhos para o rapaz da guitarra. Quando voltei para Lisboa, decidi que iria aprender a tocar o instrumento e voltaria ao sul do país no ano seguinte para a conquistar. A verdade é que nunca mais a voltei a ver, mas o gosto pela guitarra ficou e, aos poucos, fui começando a murmurar melodias e palavras soltas só para tornar os ensaios menos monótonos. Comecei a cantar e nunca mais parei. Hoje, não tenho dúvidas sobre porque canto e sei que o continuarei a fazer para sempre. Cantar sobre a vida é a forma que arranjei para a viver vezes sem conta, e é talvez a principal razão pela qual continuo diariamente a procurar experienciar coisas novas. Cantar tornou-se profissão, mas também um espaço seguro e terapêutico que me mantém com uma vontade enorme pelo dia de amanhã e por tudo o que está por vir. Mais música e cantorias a caminho.



Em que fase está o plano de chegares à MEO Arena, num concerto em nome próprio?

A.D. — Atuar na MEO Arena com um concerto em nome próprio é o maior sonho da minha carreira e nada me deixa mais feliz do que saber que, ano após ano, estou a fazer uma caminhada ascendente e que, aos poucos, me vou aproximando desse objetivo. Não vejo esse plano como uma fonte de pressão. Vejo-o como a montanha que está por escalar, o destino que me dá vontade de continuar diariamente a fazer mais e melhor. Não o quero fazer amanhã ou no próximo ano, porque há tempo para tudo. Sou um adepto convicto do velho lema “o que importa não é o destino, mas a viagem”. Com o propósito de lá chegar um dia, eu e a minha equipa temos vindo a delinear o projeto com base em etapas credíveis e seguras. O primeiro fruto desse plano foi a atuação no Capitólio. Agora seguem-se Tivoli, Coliseu e Campo Pequeno. O céu é o limite e não há pressa alguma para lá chegar.

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